O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se preparam para o primeiro confronto direto das eleições no debate da TV Bandeirantes, neste domingo (18), após faltarem aos embates do primeiro turno.
Lula e Flávio miram os eleitores que pretendem votar branco, nulo ou ainda estão indecisos, uma fatia que, segundo o Datafolha divulgado na quinta-feira (15), soma 8% do total.
Em desvantagem após o primeiro turno diante do resultado de 47% a 45% nos votos válidos, Lula também visa a desconstruir o oponente para convencer o eleitorado que votou em Flávio a mudar de lado no segundo turno.
Aliados do petista afirmam que a prioridade deve ser despertar no eleitorado o medo de perder programas sociais caso Flávio seja eleito. Lula planeja cobrar que o adversário explique como fará o “tesouraço” em despesas e impostos, além de apontar contradições.
“Flávio tem que se explicar. Vai cortar dinheiro de onde? Da saúde, da educação, da assistência social, dos programas sociais? Vai deixar de reajustar a aposentadoria? Vai deixar de reajustar o salário mínimo?”, afirma o coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva (PT).
O chefe do governo também quer explorar o fato de o rival ter mudado de posição de última hora sobre o fim da escala 6×1. Flávio se opunha à medida, mas acabou votando a favor sob o argumento de que os trabalhadores eram favoráveis à mudança.
A campanha do presidente tenta colar no senador o rótulo de “biruta de aeroporto”, em uma metáfora para reforçar que ele muda de posição de forma oportunista dependendo da conjuntura política.
Outro tema que Lula buscará usar para desgastar o adversário é o escândalo do Banco Master. Ainda na pré-campanha, Flávio viu sua popularidade diminuir por causa da divulgação de um áudio no qual pedia R$ 134 milhões ao dono do antigo banco, Daniel Vorcaro, para um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL).
Do lado de Flávio, a ideia, segundo auxiliares, é confrontar o presidente sem partir para o ataque de forma agressiva –em uma tentativa de reforçar a imagem de “Bolsonaro moderado”, um político mais tranquilo, educado e conciliador do que Jair.
De acordo com integrantes da campanha do PL, a postura pode ser decisiva para atrair ou afastar eleitores que ainda não se decidiram e que, em muitos casos, estão desiludidos com a política.
Flávio também tem conversado com assessores sobre como responder à possível acusação de despreparo. O presidenciável foi deputado estadual por quatro mandatos e senador, mas nunca passou pelo Executivo e é 35 anos mais novo que Lula.
Uma pessoa próxima a Flávio ressalta que o debate será uma oportunidade para que ele rebata também fake news da campanha adversária, reafirmando compromisso com políticas e programas sociais.
Segundo esse interlocutor, o candidato do PL deve aproveitar a audiência da TV aberta para afastar temores de que vai acabar com o Bolsa Família, as aposentadorias e, entre outros, o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
Em entrevistas e discursos, Flávio tem repetido frases de efeito que deve levar ao programa, como a de que pretende cuidar do Brasil, de que o cidadão estará no centro do seu governo e de que Lula deixou um legado de recordes de marcas negativas.
O candidato do PL também deve explorar o tema da violência, que lidera a lista de preocupações dos brasileiros. A intenção é indicar ao eleitor que seu oponente não tem proposta para enfrentar o problema, ao contrário dele.
Um aliado de Flávio afirma que é preciso deixar claro que é ele quem vai defender e brigar pela redução da maioridade penal, tema também de forte apelo junto ao eleitorado. Lula, na visão do PL, só afirmou ser favorável à redução da maioridade de 18 para 16 anos para crimes hediondos, em entrevista à TV Globo na última semana, porque foi encurralado pela proposta bolsonarista, de reduzir para 14.
Aliados do presidente da República acreditam que ele também tentará incluir o tema das bets no debate para forçar algum compromisso de Flávio. O petista proibiu as apostas online e credita a elas ao menos parte da responsabilidade pelo endividamento da população.
Deverá mencionar no debate o fato de o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, ter investimentos no ramo de apostas e ter pagado voos para o candidato do PL, de acordo com a Polícia Federal.
Diversos aliados de Lula têm cobrado dele uma postura mais combativa. O presidente retornou a Brasília após compromissos de campanha em Minas Gerais na sexta-feira (16), e dedicaria o sábado (17) e o domingo à preparação. Ele pretende viajar a São Paulo, onde fica a sede da Band, horas antes do programa.
A discussão sobre participar ou não dos debates do segundo turno dividiu a equipe de Flávio e acabou levando a recuos em série.
No primeiro turno, o senador afirmou que participaria de todos os debates em que Lula fosse e que inclusive confirmaria presença para forçar o presidente da República a fazer o mesmo.
Apesar disso, o petista anunciou comparecimento no evento da TV Bandeirantes na terça (13) enquanto Flávio, em um primeiro recuo, anunciou que não iria ao debate da emissora.
A decisão de não comparecer, no entanto, durou pouco. Flávio passou a ser fustigado pelos adversários com a pecha de fujão e, na quarta (14), declarou que iria, sim, ao debate e que sua suposta desistência era uma “armadilha” para que Lula confirmasse presença.
O Painel mostrou, porém, que a campanha do PL não assinou as regras do debate da TV Globo, deixando a participação de Flávio em suspenso.
* Com informalções de THAÍSA OLIVEIRA, CAROLINA LINHARES, CAIO SPECHOTO, CATIA SEABRA, MARIANA BRASIL E AUGUSTO TENÓRIO/folhapress





