A música no carro afeta suas emoções e muda o seu jeito de pilotar no trânsito

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Escutar música ao volante é hábito comum entre motoristas, seja para encarar o trânsito, relaxar depois do trabalho ou deixar a viagem mais agradável. Mas a trilha sonora pode mudar a forma de dirigir?

Esse foi um dos temas discutidos no De Carona com JC, programa do Jornal do Carro na Rádio Eldorado, aos sábados às 8 horas.

Dependendo do ritmo, do volume e até das lembranças que uma canção desperta, a música pode afetar o comportamento do condutor e se tornar fonte de distração.

Segundo Wilma Amorim, psicóloga clínica, neuropsicopedagoga e coordenadora do curso de Psicologia da Afya Faculdade Porto Nacional (TO), a música interfere no estado emocional das pessoas e, por isso, pode se refletir na direção.

“A música pode, sim, influenciar esse estado emocional, o nível de ativação da pessoa, e pode repercutir na maneira como esse motorista se comporta ao volante”, afirma.

Música agitada

Não necessariamente. “Uma música mais tranquila pode favorecer o relaxamento em determinadas situações e uma música mais estimulante pode aumentar essa excitação em algumas pessoas”, explica a especialista.

O efeito varia conforme o perfil de cada motorista, seu estado emocional e as condições do trânsito. Quem já está irritado com o congestionamento, por exemplo, pode reagir a uma música agitada de forma diferente de alguém que está tranquilo. Ou seja, não existe uma playlist universalmente segura ou perigosa para dirigir.

As lembranças associadas às canções também contam. Uma música pode despertar sentimentos positivos, mas também trazer recordações desagradáveis e emoções que o motorista não esperava sentir naquele momento.
Por isso, a recomendação é observar como cada tipo de música afeta o próprio comportamento e evitar aquelas que aumentam a irritação ou prejudicam a atenção.

Música alta no carro

Mais do que o estilo musical, o volume merece atenção. “O volume elevado pode dificultar a percepção de sons importantes na hora em que aquele motorista está dirigindo, como sirenes, buzinas e sinais de alerta”, afirma Wilma.

São esses sons que avisam o condutor sobre situações que exigem reação rápida, como a aproximação de veículos de emergência ou o alerta de outro motorista. Mesmo que a música esteja ajudando a relaxar, o volume deve permitir ouvir o que acontece fora do veículo.

Reduzir o estresse

Apesar dos riscos, a música pode ser aliada de quem passa muitas horas ao volante. Segundo a psicóloga, ouvir as canções favoritas pode melhorar o humor, aliviar a tensão e tornar o deslocamento mais agradável.

O benefício é especialmente importante para motoristas profissionais, como caminhoneiros, que frequentemente passam dias ou semanas longe de casa. Nesses casos, a música funciona como companhia e ajuda a diminuir a sensação de solidão na estrada.

A psicóloga também faz um alerta sobre a sonolência: quem está com sono não deve tentar combater o cansaço apenas com música. O mais seguro é interromper a viagem em um local adequado e descansar.

O que diz o Código de Trânsito

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) tem regras que se aplicam diretamente a quem dirige ouvindo música:

Som alto (art. 228): usar no veículo equipamento de som em volume ou frequência não autorizados pelo Contran é infração grave, com multa de R$ 195,23, 5 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.

Fones de ouvido (art. 252, inciso VI): dirigir usando fones conectados a aparelho de som ou ao celular é infração média, com multa de R$ 130,16 e 4 pontos.

Celular na mão (art. 252, parágrafo único): dirigir segurando ou manuseando o telefone, inclusive para trocar de música, é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos.

*com informações do conteúdo estado/ Pietra Alcântara*



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