Flávio Bolsonaro fala em “sacanagem” e diz que é “impossível aceitar o resultado dessas eleições”

Flávio Bolsonaro fala em "sacanagem" e diz que é "impossível aceitar o resultado dessas eleições"


O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições deste domingo (25), disse que “é impossível aceitar o resultado dessas eleições”, afirmou que pedirá a anulação dos resultados e tratou como “sacanagem” a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que prorrogou em duas horas o horário da votação.

Flávio deu as declarações em Brasília, em uma fala de dois minutos, em uma casa preparada para sua festa da vitória, no Lago Sul que pertence ao empresário Vicente Santini, um dos coordenadores de sua campanha.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto”, disse Flávio.

“O ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil.
Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros e diversas cidades de diferentes estados”, completou

O senador seguiu seu discurso: “Nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí, que a própria imprensa publicou as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento”, disse Flávio, sem especificar qual a qual ministro se referia.

“O que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vou pedir anulação dessas eleições”, afirmou.

Flávio voltou associar Zanin a Lula. “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada, a pedido de um ex-sócio do próprio Zanin, e ele atende a um pedido por cima da Justiça Eleitoral”.

No término de sua fala, colocou em dúvida o procedimento do STF após o término da apuração. “O detalhe que poucos sabem aqui. Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala cofre [do STF] a partir do momento que a decisão foi tomada. Então, tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora, nessas eleições”, sem explicar qual seria a irregularidade a qual se referia.

Ele concluiu a fala dizendo que não iria “desistir do meu Brasil”.

A equipe de Flávio havia preparado uma festa com churrasco no imóvel onde ele fez a declaração, e os jingles de sua campanha ficaram tocando em looping a partir de sua chegada, por volta das 17h30.

Membros das bancadas do PL na Câmara e no Senado chegaram à medida que se aproximava o horário da apuração, além de aliados como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o influenciador Pablo Marçal.

Um palco com uma bandeira do Brasil foi montado dentro da propriedade, que seria liberada para acesso da imprensa caso o senador fizesse um discurso.

Flávio acompanhou a apuração olhando a atualização dos dados em um notebook apoiado em uma mesa atrás de onde ele estava sentado, em um salão cheio de apoiadores.

Ele estava sentado com sua mulher, Fernanda, de um lado e Tarcísio do outro. Ao redor dele, havia também os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), Marçal, o líder de seu partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite (PP).

Pouco após as 20h50, quando o Datafolha projetou a vitória de Lula, foi possível ouvir do lado de fora a música da casa sendo interrompida, e uma oração foi celebrada. Em seguida, mais aliados foram deixando o local. Um dos homens, ao sair, gritou xingamentos à imprensa e disse: “O Nordeste é uma desgraça”.

Uma das convidadas, a deputada distrital eleita Estefane Sampaio (Republicanos), disse que estava “todo mundo triste lá dentro, tudo muito estranho”.

Conforme a apuração foi avançando e as primeiras projeções de vitória de Lula foram sendo publicadas, alguns dos convidados começaram a sair. Um dos primeiros apoiadores a deixar o local foi o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, que era um dos cotados para o Ministério da Fazenda.

Flávio, por sua vez, havia deixado o salão onde estava a maior parte dos convidados ainda antes e migrado para uma sala menor, com um grupo restrito de aliados. Foi ali que ele acompanhou o término da apuração.

O candidato derrotado havia votado pela manhã em um colégio da Vila Isabel, zona norte do Rio, quando declarou ter feito uma campanha “alegre e limpa”.

“A esperança virou medo, de andar à noite na rua, ter o celular, a moto roubados, medo da geladeira vazia, de não pagar as contas. A gente tem toda condição de montar um grande time. Quero pedir que faça chuva ou faça sol, saiam de casa para votar”, disse após votar.

A fala durou pouco mais de um minuto. Entre os apoiadores que o acompanharam estava o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL). Flávio Bolsonaro voou para Brasília em seguida, acompanhado de sua mulher, Fernanda, seus sogros e auxiliares da campanha.
Já no fim da tarde, após o PT apresentar requerimentos ao TSE e ao STF para prorrogar o horário das eleições, a campanha de Flávio fez um pedido similar, mas restrito a cidades do Sul e do Sudeste.

A campanha argumentou que as chuvas que atingiram as duas regiões, especialmente durante a noite de sábado (24) e a madrugada de domingo, comprometeram deslocamentos.
Sua campanha afirmou que “do outro lado da balança está o eleitor que, diante de rua alagada, teria de escolher entre a própria segurança e o voto. A proporcionalidade resolve-se em favor do eleitor”.

Contudo, com a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, seguida pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, que prorrogaram em duas horas o horário de votação, seus principais aliados políticos atacaram a decisão.

Após chegar à concentração de Flávio, Nikolas disse que o PL iria contestar o resultado da eleição. Em uma publicação nas redes sociais, ele disse: “Ou a gente ganha, ou a gente ganha. Está avisado”. Marçal disse que a prorrogação do horário manchava a eleição, mas que não era o caso de contestar os resultados.

O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também se pronunciou enquanto o candidato se mantinha em silêncio. Sem citar Zanin diretamente nem Nunes Marques, ele disse que era “impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF”.

Ele disse esperar que não prosperasse “qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa”.

Já Tarcísio, que chegou a ser cotado para disputar a Presidência, mas foi preterido por Jair Bolsonaro, manifestou-se de modo mais contido. O governador defendeu que medidas judiciais como aquela deveriam ser tomadas com “explicações claras sobre seus fundamentos”, mas não a contestou publicamente.

*folhapress



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