Promover a conscientização ecológica, incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e estimular o trabalho em equipe. Esses são os pilares do programa horta pedagógica, presente atualmente em 50 unidades de ensino municipais.
O projeto da Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), trabalha a educação ambiental com todas as disciplinas, onde os estudantes participam desde a escolha do local, construção, manutenção da horta e colheita do que se produz.
A secretária de Educação e Cultura de João Pessoa, América Castro, ressalta que as hortas pedagógicas transformam o aprendizado em uma experiência prática e significativa para as crianças.
“Os estudantes aprendem sobre alimentação saudável, sustentabilidade, educação ambiental e a importância de cuidar da natureza. Também desenvolvem valores como responsabilidade, cooperação e respeito ao próximo e ao meio ambiente. É uma maneira de levar o conhecimento para além da sala de aula, aproximando a educação do cotidiano das crianças”, comentou.
O professor Herbert Uchôa, que trabalha na Seção de Educação Ambiental da Sedec, explica que as hortas pedagógicas permitem o desenvolvimento de atividades e habilidades dentro de diferentes disciplinas.
Na matemática, por exemplo, eles trabalham a construção dos canteiros, o espaçamento, a quantidade de material. Em ciências, vai desde o desenvolvimento das plantas ao uso do solo. Em história, eles estudam sobre alimentação.
“As hortaliças e frutas cultivadas nas hortas são escolhidas pelos professores de cada unidade, em parceria com a equipe que prepara a merenda. A manutenção também é de responsabilidade de cada escola, envolvendo a participação de pais e familiares dos estudantes. A Sedec é responsável pela distribuição dos materiais, como sementes e adubos”, explicou.
Lucia Karla Rocha, gestora do Ninho do Saber Delegada Maria Teresa de Souza Leite, localizado no bairro de Miramar, conta que, em sua unidade de ensino, a horta pedagógica é utilizada por todas as turmas, inclusive pelos berçários. As crianças plantam, acompanham diariamente o crescimento das hortaliças e depois participam da colheita.
“A colheita mais recente foi há duas semanas. A horta estava linda, cheia de alface, coentro… Os tomatinhos bem vermelhinhos. A gente plantou tudo novamente. Agora é esperar crescer”, revela a gestora. Entre os alimentos cultivados no Centro Municipal de Educação Infantil estão alface, coentro, tomate-cereja, beterraba e salsa.

Foto: Secom/JP
O berçário é responsável pelo cultivo do coentro. Já o infantil V, pelo tomate-cereja. A produção é utilizada na alimentação das próprias crianças, em preparos como feijão e saladas. Lucia Karla explica que, além do contato com a terra e do aprendizado sobre o cultivo dos alimentos, a experiência contribui para o desenvolvimento da coordenação motora ampla e fina das crianças.
“Eles desenvolvem a coordenação desde o movimento de levantar e agachar até o movimento de pinça para pegar as sementes. A gente deixa as crianças cavarem com as mãos, mesmo que depois precise fazer um buraquinho maior. A intenção, principalmente com os pequenininhos, é que eles tenham esse contato com a terra”, explica Lucia Karla.
A gestora também destaca os benefícios para a oralidade, a interação social e a atenção das crianças.
“Eles estão ali conversando, interagindo, vendo o que o outro está fazendo, porque ficam todos juntos. Essa interação social é muito importante. E é interessante observar como eles prestam atenção naquilo que estão fazendo. São crianças pequenas, mas ficam ali concentradas, prestando atenção em tudo”, revela.
Horta medicinal
Além das experiências desenvolvidas na Rede Municipal de Ensino, o cultivo de hortas também está presente na área da saúde. Do outro lado da cidade, em Mangabeira VII, a agente de saúde Rita de Cássia, que trabalha na Unidade de Saúde da Família Integrada Quatro Estações, mantém viva uma horta medicinal.
O espaço beneficia moradores da comunidade, incentiva o uso consciente das plantas e promove a troca de conhecimentos sobre os cuidados com a saúde.
A horta medicinal funciona de maneira espontânea e já faz parte da rotina da unidade de saúde, recebendo diariamente usuários em busca de plantas para o preparo de chás. O principal objetivo da iniciativa é resgatar o uso tradicional das plantas medicinais para auxiliar no cuidado com a saúde, especialmente em situações mais simples, como resfriados e desconfortos alimentares.
Mas a equipe procurou ampliar seus conhecimentos sobre o uso das plantas medicinais para oferecer orientações mais seguras à população. Rita de Cássia e um dos médicos da unidade, Estanislau Barbosa de Lucena, fizeram cursos para ter mais embasamento científico e orientar os usuários com mais segurança.
“A gente tem aqui diferentes espécies de plantas medicinais. Entre as mais procuradas estão o capim-santo e a erva-cidreira, utilizados popularmente para aliviar sintomas de ansiedade e dificuldades para dormir”, explica a agente de saúde.
Segundo Rita de Cássia, muitos usuários já chegam à unidade sabendo qual planta desejam utilizar, geralmente após pesquisarem sobre suas propriedades medicinais na internet.
No entanto, ela ressalta a importância de conhecer as condições de saúde de cada pessoa antes de orientar o uso.
“Eu sempre pergunto para que vão usar, o que estão sentindo, porque às vezes a pessoa acha que aquela planta vai resolver o problema, mas pode ter outra condição de saúde que não permita o uso. Dependendo da situação, até sugiro outra planta”, revela.
De acordo com a agente de saúde, os resultados são positivos, com relatos de usuários que perceberam melhorias em seu bem-estar após incorporar as plantas medicinais aos cuidados com a saúde.
Ela também defende que a experiência seja ampliada para outras unidades. “Eu sempre fortaleço a ideia para que outras unidades tenham essa iniciativa tão gratificante. Sempre me disponibilizo a ajudar, doando mudas e até auxiliando na formação da horta”, finaliza.





