Particularmente, não gosto do modelo de SAF. O controle da paixão de milhares de pessoas passa para as mãos de uma única pessoa ou de um grupo de investidores, que fazem o que bem entendem de seu novo patrimônio.
Nessa dinâmica, o torcedor — que é quem dá o verdadeiro sentido ao clube — perde totalmente a voz. Na Paraíba, a primeira experiência desse sistema, no Botafogo-PB, caminha para um desfecho precoce. Um verdadeiro sonho de uma noite de verão
A temporada de 2026 do Botafogo-PB chegou ao fim de maneira melancólica. Com a eliminação precoce no quadrangular da Série C, o clube agora vive a iminente saída de Fillipe Félix do comando majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), deixando o torcedor dividido entre a frustração do acesso perdido e o receio com o futuro extracampo.

O desfecho contrasta drasticamente com o início promissor do projeto, que contou com reformas na estrutura do CT da Maravilha do Contorno, com a contratação de impacto do veterano Nenê e com o fim do jejum de títulos no Campeonato Paraibano.
No final, o ano termina com uma queda abrupta de rendimento dentro das quatro linhas e bastidores políticos inflamados.
Em seus últimos pronunciamentos públicos, Félix garantiu que manterá uma parcela de parceria com o clube, mas o tom de despedida em seus discursos e os constantes agradecimentos aos torcedores pelo período de gestão indicam que o seu ciclo como decisor central está perto do fim.
Segundo o empresário, o melhor caminho para o Belo é dividir o bolo de investimentos e trazer para a linha de frente um gestor que resida em João Pessoa e tenha dedicação exclusiva ao dia a dia institucional. Sob a ótica prática do futebol local, o diagnóstico dele parece correto.

No entanto, a passagem de quase dois anos de Félix como CEO da SAF alvinegra esteve longe de ser pacífica. O período foi marcado por intensa instabilidade administrativa, com frequentes e por vezes repentinas trocas de comando no departamento de futebol e na diretoria.
Se a queda na Série C feriu o orgulho de uma torcida calejada por decepções, o legado dessa transição de poder desenha um cenário ainda mais alarmante.
O acúmulo de novos processos judiciais e cobranças financeiras contra a SAF deixa um cenário nebuloso para os possíveis parceiros interessados em assumir a gestão.

É exatamente com essa espinhosa realidade jurídica e financeira que a diretoria do Botafogo-PB terá de conviver e solucionar nos próximos meses para viabilizar qualquer planejamento para 2027.
Para o ano que vem, a única certeza é a de que o Belo terá de disputar, mais uma vez, a Série C do Campeonato Brasileiro.





